O seguro ainda está fora da realidade de boa parte da frota brasileira. Segundo um levantamento da Saga Seguros citado pelo Motor1 em agosto de 2026, cerca de 70% dos veículos circulam sem cobertura. Ao mesmo tempo, uma colisão aparentemente pequena pode envolver peças de milhares de reais.
Esse contraste muda a forma de olhar para o preço do seguro. A mensalidade ou o valor anual são conhecidos antes da contratação; o prejuízo de uma batida, um roubo ou um dano causado a terceiros não tem o mesmo limite de previsibilidade.
A pergunta não é apenas quanto custa ter seguro, mas quanto pode custar não ter. Acompanhe o post e veja o que muda quando os dois lados dessa conta entram na comparação.
7 em cada 10 carros circulam sem seguro
O levantamento da Saga Seguros chama atenção porque significa que uma parcela grande dos proprietários pode precisar assumir diretamente os prejuízos que podem surgir com o próprio carro.
Uma colisão pode exigir funilaria, pintura e troca de componentes. Um roubo pode representar a perda do veículo. Se o motorista for responsabilizado por um acidente, ainda pode precisar pagar o conserto de outra pessoa.
O seguro transfere parte desses riscos para a seguradora, dentro das coberturas e limites contratados. Por isso, considere também o que aconteceria com seu orçamento se um desses eventos ocorresse.
Uma batida pequena pode custar mais que um ano de seguro?
Pode, dependendo do carro, do dano e do valor do seguro daquele motorista. Não existe uma relação fixa que permita afirmar isso para qualquer veículo.
A reportagem do Motor1 cita valores levantados pela Saga Seguros que ajudam a dimensionar o problema. Um farol full LED pode custar entre R$ 3 mil e R$ 7 mil, enquanto um para-choque equipado com sensores pode ultrapassar R$ 5 mil. Segundo a executiva ouvida pela publicação, uma colisão em baixa velocidade pode gerar um prejuízo superior ao valor pago por um ano de seguro.
Um impacto frontal pode envolver muito mais que peças de acabamento. Para-choques podem abrigar sensores, radares e outros componentes eletrônicos, e alguns reparos ainda exigem diagnóstico e calibração depois da troca.
Assim, uma batida visualmente pequena pode produzir uma conta bem maior do que o esperado.
Por que a tecnologia deixou alguns reparos mais caros?
Os carros ganharam recursos de segurança, conforto e assistência à condução. Essas tecnologias ajudam no uso diário e podem reduzir determinados riscos, mas também aumentam a quantidade de componentes presentes em áreas vulneráveis a colisões.
Faróis de LED, câmeras, radares, sensores e retrovisores eletrônicos são exemplos. Quando uma peça reúne várias funções, substituir o conjunto pode custar mais do que reparar um componente simples.
Isso não significa que todo carro tecnológico terá seguro caro. Modelo, versão, perfil do condutor, região, uso e outros fatores também entram na análise.
E se a batida envolver o carro de outra pessoa?
A conta pode crescer ainda mais. O preço do seu veículo não limita o valor do dano que você pode causar a um terceiro.
Imagine um carro popular atingindo um veículo de alto valor. Mesmo que o conserto do próprio automóvel seja relativamente barato, reparar o outro carro pode exigir uma quantia muito maior.
A cobertura de responsabilidade civil facultativa (RCF, conhecida como cobertura para terceiros) pode proteger o segurado quando ele é responsabilizado por danos causados a terceiros, conforme as condições e os limites contratados.
Por isso, quem avalia dirigir sem seguro deveria considerar também quanto conseguiria pagar se fosse responsável por um acidente, e não apenas quanto vale o próprio carro.
Seguro precisa ter sempre a cobertura mais completa?
Não. É possível encontrar coberturas isoladas ou combinadas conforme os produtos disponíveis no mercado.
A SUSEP explica que o consumidor não é obrigado a contratar uma cobertura compreensiva reunindo vários riscos. Dependendo da seguradora, podem existir opções voltadas a riscos específicos, como roubo e furto, colisão ou responsabilidade por danos a terceiros.
Isso abre espaço para montar uma proteção mais compatível com o orçamento. Um motorista pode considerar essencial proteger o carro contra roubo e manter um bom limite para terceiros, enquanto outro pode dar mais peso à colisão e à assistência.
O importante é saber o que ficou de fora. Reduzir o preço retirando uma cobertura significa assumir aquele risco com o próprio dinheiro.
Franquia menor significa seguro melhor?
Também não. A franquia é a parte do prejuízo que fica com o segurado nas situações em que ela se aplica. Sendo assim, diferentes configurações de franquia podem alterar o valor do prêmio.
Uma proposta com franquia mais alta pode custar menos, mas exigir um desembolso maior em caso de reparo. Por outro lado, uma franquia menor pode aumentar o preço da proteção.
Ao comparar, pense no valor que você conseguiria pagar sem comprometer sua reserva caso precisasse consertar o carro. Essa análise costuma ser mais útil do que escolher automaticamente o menor prêmio.
Quanto custa ficar sem seguro?
Não existe um número único, justamente porque o prejuízo depende do evento. Ficar um ano sem sinistro pode significar não ter nenhuma despesa relacionada à proteção. Uma única colisão, porém, pode consumir milhares de reais de uma vez.
Também entram nessa conta roubo, perda total e danos a terceiros. Quanto menor sua capacidade de absorver esses gastos, maior tende a ser a importância de transferir parte do risco para uma seguradora.
Compare o custo da proteção com o risco que você aceita assumir
O dado de que cerca de 7 em cada 10 veículos circulam sem seguro mostra quantas pessoas ainda assumem sozinhas os riscos financeiros do trânsito. Com peças eletrônicas e reparos mais complexos, até uma colisão de menor gravidade pode gerar uma conta relevante.
Isso não significa que todo motorista precise contratar a proposta mais completa. Um seguro pode ser configurado com diferentes coberturas, limites, assistências e franquias, conforme as alternativas oferecidas pelas seguradoras.
Para entender o que cabe no seu orçamento, faça uma cotação pelo Autocompara. Compare preços e condições entre as opções disponíveis e escolha uma proteção que equilibre o custo do seguro com os prejuízos que você não gostaria de assumir sozinho.